Voltar Publicada em 24/06/2020

Bispos e pastores da Universal de Angola assumem gestão dos templos após rebelião


Depois de anunciar o rompimento com a direção no Brasil, bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus em Angola disseram nesta terça-feira (23) que vão assumir o controle dos templos em vários locais de Angola, conforme apuração da BBC News. Por meio de nota, a administração de Angola disse que algumas unidades do país foram invadidos “por um grupo de ex-pastores desvinculados da Instituição por práticas e desvio de condutas morais e, em alguns casos, criminosas e contrárias aos princípios cristãos exigidos de um ministro de culto”.

Ainda segundo a nota, a Universal diz que os ex-pastores usaram de violência e cometeram “ataques xenófobos”. Além disso, o relato diz que pastores, esposas dos religiosos e funcionário foram agredidos “com objetivo de tomar de assalto a igreja, com propósitos escusos”. Com 10 mil templos espalhados por 100 países, a Igreja Universal é comandada pelo bispo Edir Macedo. Somente em Angola, a entidade reúne mais de 500 mil fiéis.

Segundo o grupo, com o rompimento, a igreja será comandada a partir de agora pelo bispo Valente Bezerra Luiz, então vice-presidente da igreja. Outra mudança será o nome, que passará a ser chamada de Igreja Universal de Angola. Os rebelados afirmam ter o comando de 42% dos templos. Além de romper com a direção brasileira, os bispos e pastores alegam que o comando no Brasil cometeu crimes como: evasão de divisas, expatriação ilícita de capital, racismo, discriminação, abuso de autoridade, imposição da prática de vasectomia aos pastores e intromissão na vida conjugal dos religiosos. O episcopado angolano diz ainda que os bispos brasileiros possuem privilégios e, por isso, pedem valorização. Ainda na nota, o bispo  Honorilton Gonçalves, ex-vice-presidente da Record, estaria perseguindo, punindo e intimidando bispos e pastores angolanos, com a imposição de vasectomia aos religiosos e abortos a duas esposas.

Versão da Universal

Por meio de nota, a igreja disse que o grupo espalhou “mentiras absurdas, como essa acusação de racismo”, com o objetivo de causar confusão na comunidade angolana. “Basta frequentar qualquer culto da Universal, em qualquer país do mundo, para comprovar que bispos, pastores e fiéis são de todas as origens e tons de pele, de todas as classes sociais. Em Angola, dos 512 pastores, 419 são angolanos, 24 são moçambicanos, quatro vieram de São Tomé e Príncipe e apenas 65 são brasileiros”, afirma a instituição.

Em relação a obrigatoriedade da vasectomia nos religiosos, a Universal alega ser uma fake news “facilmente desmentida pelo fato de que muitos bispos e pastores da Universal, em todos os níveis de hierarquia da Igreja, têm filhos”. Ao contrário do que foi dito pelos rebelados, a instituição afirma que estimula “o planejamento familiar, debatido de forma responsável por cada casal”. “Esclarecemos que, respeitada a unidade de doutrina da fé que une a Igreja Universal do Reino de Deus em todos os 127 países onde está presente, nos cinco continentes, a Universal de cada nação dispõe de total autonomia administrativa para encaminhar e resolver suas questões locais, sempre observando as leis e as tradições. O que se espera é que as autoridades restabeleçam, com urgência, a ordem legal e possam assegurar que a Universal continue salvando vidas e prestando ajuda humanitária em Angola, como faz há 28 anos”, completa a nota.

Fonte: ISTOÉ